Um espaço de reconhecimento da Economia Solidária

IHU OnLine – 7/7/2010

Os integrantes do Projeto Tecnologias Sociais para Empreendimentos Solidários (Tecnosociais) estão de malas prontas. No próximo final de semana, entre os dias 9 e 11 de julho, eles participarão da 6ª Feira de Economia Solidária do Mercosul e 17ª Feira Estadual do Cooperativismo, eventos que ocorrem simultaneamente na cidade de Santa Maria, região Central do Rio Grande do Sul. Ambos constituem o maior encontro ligado à Economia Solidária da América Latina.

Um grupo incubado (empreendimento acompanhado pelo Tecnosociais), Mundo + Limpo, participará da Feira expondo e vendendo sabonetes e outros produtos de limpeza feitos de óleo reciclado. No estande montado pelo Tecnosociais, também serão divulgados materiais e projetos do Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Outros cinco grupos orientados pelo Tecnosociais (Recriar, Uniciclar, Univale, Nova Conquista e Aturoi) quatro deles na área de reciclagem, participarão de outras atividades incluídas na programação. Dentro da enorme feira que será montada no Centro de Referência em Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, predominam produtos oriundos do artesanato e da agricultura familiar. Pelo fato de o evento abranger diversos Estados, é possível conhecer diferentes técnicas e materiais utilizados na confecção das obras.

Profa. Vera Schmitz durante edição passada do evento

A equipe do Tecnosociais incentiva ao máximo os incubados para que participem do evento em Santa Maria, independente de exporem seus produtos ou não. Paralelo à Feira, ocorrem seminários, oficinas e encontros. “Há uma gama imensa de iniciativas voltadas à Economia Solidária. Vender acaba sendo secundário”, explica a coordenadora do Tecnossociais, Vera Schmitz. De acordo com ela, o evento é um espaço de diálogo, conhecimento e reconhecimento da Economia Solidária. “Ocorrem trocas, não só de produtos, mas de experiências e culturas”, observa. Segundo Vera, os incubados percebem que estão inseridos em um contexto muito maior do que São Leopoldo. “Terão uma amostra da amplitude e da diversidade da Economia Solidária.”

Não são apenas os incubados que estão ansiosos para o evento em Santa Maria. Toda a equipe do Tecnosociais também está mobilizada. “Assim que os estagiários começam a trabalhar conosco, passam a conhecer o trabalho desenvolvido na Feira. É uma oportunidade da equipe observar outras iniciativas.” Vera explica que a Economia Solidária, como está construída, ainda é recente. O município de São Leopoldo, segundo ela, está bem organizado em alguns aspectos, como provam o funcionamento do Fórum Municipal de Economia Solidária e a atuação do Fórum dos Recicladores. Além disso, dentro da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, há uma diretoria de Economia Solidária, na qual o município aposta. Também está sendo analisada a Lei Municipal de Economia Solidária, que será discutida em um Seminário em agosto. “Por outro lado, os empreendimentos solidários têm um trajeto longo a percorrer. Com o apoio da universidade, do Município e de algumas ONGs, os empreendimentos precisam se desenvolver e ter autonomia e grau de sustentabilidade maiores”, pondera Vera.

“Esta é uma luta coletiva”

Este é o quarto ano que o técnico em cooperativismo e economia solidária, Cláudio Barcelos Ogando, participará do evento em Santa Maria. Segundo ele, a cada edição, o evento se mostra mais organizado. “É um evento que integra confraternização e fortalecimento do movimento da economia solidária. Encontram-se todos que trabalham com esse segmento no Brasil”, afirma. Cláudio pretende ainda visitar a central de comercialização de associações de reciclagem existente na cidade, única do Estado e uma das únicas do país. “Essa atividade trará novas perspectivas para a constituição da central que estamos trabalhando para criar aqui no município.”

De acordo com o técnico, as experiências trazidas do evento em Santa Maria são as melhores possíveis. “A Feira conseguiu se consolidar como uma manifestação da força da economia solidária, para seu crescimento, estruturação e visibilidade. A organização permite que várias atividades ocorram ao mesmo tempo, porém sem perder a particularidade que o evento tem de ser um ambiente aconchegante e familiar”, explica. “Todos que participam, em qualquer nível, de gestor público, pesquisador, empreendimento, sentem-se em casa e renovam a vontade de trabalhar com a economia solidária”, completa.

De acordo com Cláudio, a Feira proporciona aos incubados perceberem que esta é uma luta coletiva. “Eles não estão sozinhos, mas inseridos em um movimento, que precisa de organização para requerer políticas públicas direcionadas, entre outras conquistas.” Além disso, o técnico salienta que não se trata apenas de uma outra forma de produção, mas que tenta ser, de fato, outra economia, com relações diferenciadas, como moedas sociais, trocas e tentativa de cadeias produtivas entre empreendimentos. E por fim fortalecer a compreensão de que essa é uma relação em que todos têm os mesmos direitos.

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