Católicos indignam-se com carta de dissidentes ao papa

O arcebispado de Havana qualificou de ofensiva a carta aberta enviada ao papa Bento XVI por um grupo de dissidentes, que classificou como lamentável a mediação da Igreja Católica cubana para a libertação do grupo de 52 presos políticos da Ilha, dos quais 26 já saíram do país.

A notícia é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 25-08-2010.

“Quando a igreja aceitou a missão de mediar entre os familiares dos presos ou damas de branco e as autoridades cubanas, sabia que esta mediação poderia ser interpretada das mais diferentes maneiras e provocar diversas reações, desde o insulto e a difamação, até a aceitação e o agradecimento. Permanecer inativa não era uma opção válida para a igreja por causa de sua missão pastoral”, expressa a nota do arcebispado.

Lembrou, ainda, que a ação da Igreja Católica na luta pela dignidade de todos os cubanos e a harmonia social em Cuba não se apóia em tendências políticas, mas na sua missão pastoral. “A Igreja em Cuba não desviará seu atendimento daquilo que a motivou a atuar neste processo: o reclamo humanitário de famílias que sofreram pelo encarceramento de um ou mais de seus membros”, assinala o texto.

Na carta dirigida ao papa o grupo dissidente reclama o fato de que os bispos não tenham incluído em sua agenda uma “conciliação” de interesses da dissidência e o governo cubano.

A revista católica Espacio Laical acusou a dissidência radical de deixar-se manipular por interesses políticos externos, que pretendem abortar a gestão da Igreja. Disse que essa dissidência jamais trabalhou na construção de um cenário para um possível diálogo político com o governo cubano, antes pelo contrário, e agora recriminam a igreja.

A revista assinalou que a carta dos dissidentes dirigida ao papa foi gestada fora de Cuba, e que ela foi concebida para deslegitimar o processo de diálogo da igreja com o governo cubano.

“Forças cubanas assentadas dentro e fora de nossas fronteiras geográficas, conectadas a redes políticas internacionais, tentaram fazer ver que a libertação dos presos por motivos políticos foi o resultado da ‘pressão internacional’ e da ‘luta’ da dissidência interna, e não da moderação e da disposição ao diálogo entre atores sociais e políticos”, afirma o periódico católico.

A revista até admite que a pressão externa pode ter alguma influência, mas seria ilusório pensar que ela tenha sido a causa última. “A pressão esteve presente por mais de 50 anos e não conseguiu mudar nada. Esta carta responde à política do ódio, que desvirtua a realidade interna do país apresentando-a como um palco binário de bons e maus, eclipsando os necessários matizes que se impõem para descrever, com um mínimo de seriedade, os complexos processos sociais e políticos que têm lugar atualmente na sociedade cubana”, conclui o artigo.

Fonte: IHU Online

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